APAE solicita que prefeitura assuma o transporte dos alunos até a escola.
Más condições das estradas e rodovias; precariedade da frota; superlotação e o não cumprimento de contratos por parte das prefeituras são apenas alguns dos desafios enfrentados pelos estados no que se refere ao transporte escolar. Em Irati, um problema tem afetado diretamente uma parcela dos estudantes. O mais preocupante é que justamente os alunos que mais precisam de auxílio do poder público são os que não têm ajuda alguma. Na quarta-feira, dia 15, pais, alunos e a diretoria da APAE de Irati, se reuniram para expor a dificuldade financeira que a entidade tem enfrentado para realizar o transporte escolar dos alunos.
Segundo a diretora da entidade, Eliane Pires Filipaki, os convênios mantidos com a prefeitura municipal não são suficientes para suprir a demanda. Somente com combustível a APAE gasta em torno de R$ 5 mil mensalmente. Porém, a prefeitura concede subvenção de apenas R$ 1 mil. “A APAE paga o transporte dentro de suas possibilidades, ou seja, não consegue atender a demanda do transporte escolar- que é de responsabilidade do município. Ano passado não foi recebido nenhuma subvenção da prefeitura”, diz o diretor secretário da APAE de Irati, Paulo Roberto Constantino.
Além disso, a prefeitura fornece uma auxiliar de classe e mais um motorista para realizar o transporte dos alunos. Porém, a carência de veículos adaptados para deficientes faz com que sejam necessários pelo menos cinco profissionais para atuar nesta área. Hoje somente três estão contratados.
Transporte misto
Filipaki diz que aproximadamente 50% dos alunos da APAE poderiam usar o transporte escolar em conjunto com os alunos da rede municipal e estadual, desde que tivessem um auxiliar dentro do veículo. Vale lembrar que atualmente 162 alunos estão matriculados na Escola José Duda Junior.
“Nós tivemos conhecimento que a escola de educação especial de Guarapuava conta com 20 linhas, sendo que dez são exclusivas, ou seja, a prefeitura faz o transporte dos alunos de educação especial. As outras dez é um transporte misto em que os alunos vêm junto com os alunos do ensino comum. O diferencial é a figura do acompanhante para garantir a segurança do aluno. Se fizéssemos desta forma em Irati, 50% dos alunos com necessidades especiais poderiam frequentar as aulas”, comenta Filipaki.
A diretora da entidade lembra que os outros alunos precisariam de um veículo adaptado porque são cadeirantes ou têm deficiências que comprometem mais a locomoção.
Lei
Filipaki expôs que a APAE aguarda ansiosamente desde o início do ano sobre uma posição da diretoria da secretaria de educação. A diretora relatou que a entidade não está solicitando uma ajuda, e sim fazendo um pedido para que se cumpra a lei, que garante o direito ao transporte escolar dos alunos da educação especial.
“Nós vínhamos tentando estabelecer um processo de negociação. Enviamos vários ofícios para a secretaria municipal de educação e até hoje eles não foram respondidos. Nas reuniões que marcamos não houve comparecimento de nenhum representante da secretaria”, afirma Constantino.
Recentemente em entrevista à equipe da Najuá, a secretária de Educação Zenilda Stroparo, disse que o município providencia as adaptações nas escolas onde o aluno for matriculado. A secretária também comentou que o transporte escolar feito pela prefeitura é só do ensino fundamental e que as crianças de creche não se enquadram nesta medida.
APAE
Vale destacar que a APAE- (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) é uma entidade privada. Até o ano passado a entidade funcionava como escola com professores subsidiados pelo estado e com atendimento de saúde pago pelo SUS. Mesmo assim, a entidade ainda não era oficialmente considerada como escola da rede estadual. Ela enviava relatórios para o estado, mas sem compromisso, pois poderia ter justificativas das mais diversas no caso de faltas dos alunos.
Sobrevivência e frequência na escola
Em Irati, a APAE sempre teve problema com transporte, mas sempre se virou como pode. No ano passado, por exemplo, a entidade arrecadou verbas de três formas: jantar (promovido pela diretoria), bazar, onde são vendidas peças do artesanato produzido pelas mães e feitos na oficina da APAE pelos alunos acima de 16 anos e adultos, e venda de mudas frutíferas produzidas na chácara da entidade.
Com o dinheiro arrecadado a diretoria vai suprindo suas necessidades e mantendo o transporte escolar do jeito que dá. Porém, aí surge um grande problema. A frequência dos alunos não é diária. Pior, os alunos que tem maiores dificuldades de locomoção costumam ir no máximo três vezes por semana. Somente os filhos de famílias que tem mais condições financeiras é que costumam ir à escola todos os dias. A situação é ainda mais agravante quando analisada a situação das famílias que moram no interior do município.
Uma mãe que mora na localidade de Água Clara disse que seu filho frequenta a sala de aula somente uma vez por semana. A mãe contou que se tivesse transporte da escola viria mais dias ou todos os dias. Em contato com nossa reportagem, ela relatou que a APAE solicitou para a empresa J. Araújo uma passagem grátis para ela e seu filho – que não tem condições de vir sozinho.
Outra mãe relatou que manda o filho três vezes por semana para a escola com a Van da APAE. Segundo ela, seu filho só não vai mais vezes porque o transporte não passa todos os dias em sua casa. Mesmo assim, ela conta que leva o filho mais duas vezes por semana no atendimento de saúde que fica anexo a escola. Porém, neste caso a mãe precisa se virar como pode, pois este serviço é adicional a escola. Devido ao problema, algumas vezes ela não comparece para o atendimento marcado.
Lembrando que o tratamento com fisioterapeutas, fonoaudiólogos e médicos também é de responsabilidade da família do aluno.
Felicidade
No relato das mães durante a reunião era visível a importância da escola na vida de seus filhos. A possibilidade dos jovens poderem ter sua vida própria trás imensa emoção para elas que se sentem orgulhosas de ver o filho com saúde e feliz. Já os filhos... O sorriso e o brilho nos olhos de cada aluno denuncia. Seja criança, jovem ou adulto, ninguém nesta turminha gosta de férias porque a alegria de suas vidas está no dia-a-dia da escola.

Boa noite, exatamente isso que você escreveu, a alegria de suas vidas está no dia a dia da escola. Tenho um irmão que frequentou a escola por 12 anos. Essa semana ele foi desligado da escola e nossa vida virou de pernas para o ar, pois ele acorda cedo, veste a roupa e quer ir de qualquer maneira, não entende que não pode ir. Abraço, Salete Kmita.
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