segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Do Bolo de Chocolate ao Petit Gâteau

O mundo mudou, evoluiu. Nosso país não ficou para trás. A onda do politicamente correto nos deu um caldo. E temos que nos esforçar, para não parecermos atrasados. Todos os cuidados com piadas e expressões. Termos como meia da cor da pele e judiação, são hoje extremamente criticados, e eu concordo. Meia da cor da pele de quem? Se a resposta for dos brancos, realmente é absurda, não se refere à maioria da população. E judiação? Sinônimo de maldade. Existe outra corrente que defende que vem do horror nazista. De todo modo é melhor substituir a palavra, do que enfrentar a patrulha raivosa discursando e pré-julgando por horas a fio.
O bolo Nega Maluca, sofre séria ameaça de ter seu nome substituído. Alguém já se imaginou entrando em uma confeitaria e pedindo: — Moça, eu quero uma fatia de afrodescendente que sofre de problemas emocionais. Acho que não, né? Perderia o encanto e a metade das calorias. Talvez por isso, hoje qualquer bolo de chocolate seja chamado de petit gâteau. Soterraram a receita francesa onde o chocolate sai derretido de dentro, envolvido em uma casquinha crocante. Qualquer massa de chocolate recheada passou ter este nome chiquérrimo. Mas com a minha idade, me dou o direito de comer e festejar a minha amiga de bons e grandes momentos a querida Nega Maluca.
Por falar em idade, acompanhei a evolução do chá mate. Quando era criança o mate era servido em um cone de papel, dentro de um suporte metálico. A long time ago... Nunca entendi porque não usavam os copos. Na praia era só no cone. Um desespero. Tinha que beber rápido para não amolecer o papel. Esta aí uma evolução positiva, agora no copinho plástico, garrafas pets, sabores diversos e deliciosos. Energéticos no estilo mega, power. Só não aderi às latas, acho que perde o charme.
Os salões de beleza são a prova de que as mulheres não estão mais tão adeptas ao sofrimento em nome da vaidade. Secadores de cabelo de pedestal. Quase um objeto de tortura medieval. As mulheres colocavam bóbis, tapa ouvidos, redinha na cabeça e entravam, isto mesmo, entravam no secador. Verdadeiros ETs. Além de totalmente surdas, o cabelo ia esquentando. Depois davam um tempo para o cabelo esfriar e poder retirar os bóbis. Como um choque térmico. Depois disso, quilos de laquê, que hoje se chamam spray. Quem tem tempo para isto tudo hoje em dia? Olha aí a evolução. E vale lembrar que os salões souberam driblar os planos econômicos como ninguém. A cada tabelamento de preços se mudavam os nomes. As mechas viraram reflexos e hoje são luzes. Quem sabe se aparecer um novo plano não se transformam em áureas. Fica a dica.
No mundo, vasto mundo feminino, a bolsinha virou necessaire, o brilho para os lábios se transformou em gloss, e a purpurina em glitter. Não é fácil ser bonita, politicamente correta e antenada.
Pouco tempo atrás eu dizia: — Fui a um churrasco, depois dei uma esticada e levantei cedo para resolver uns problemas. Credo! Deus me livre. Agora digo: — Fui no churras, depois para a balada e levantei cedo para resolver umas paradas. Cuidado. Qualquer deslize denuncia a idade. Fui..

0 comentários:

Postar um comentário