terça-feira, 27 de dezembro de 2011

TPM

Fico indignada quando falam que TPM é síndrome de mulherzinha. Tudo menos isto. Nestes dez dias que antecedem a menstruação tudo é possível. Sou um caso clássico, daqueles descritos em literatura médica. Muitos tratamentos, cuidados com a alimentação. Ameniza mas não resolve.
Meu primo irmão ou irmão primo, Luiz Angelo, se empenha em me tratar. Acho que mais por solidariedade ao meu marido, do que por preocupação comigo. Neste caso tenho que reconhecer que os homens são sobreviventes.
Mas o que realmente sindo na TPM é uma vontade irresistível de pegar uma pessoa e bater a cabeça dela contra a calçada. Inúmeras vezes. Não posso fazer isto, certo? Então vem a verborragia. A compulsão de repetir a mesma coisa.
A vendedora da loja disse que não tinha calça do meu tamanho. Pronto, meu mundo caiu. E ainda ela me olhou de cima a baixo antes de perguntar, se uso 46. Como assim? Aquela louca está pensando o que? Não sou tão gorda, baixinha tudo bem. Um pouco fora do peso, ou será muito? Será que desandei? Preciso me pesar. Não vou me pesar. Dane-se ela. Perdeu a comissão. Nunca mais vou lá. E eu contando tudo isto e ninguém me diz que não estou gorda. Não precisam dizer que sou magra, mas não é para usar 46 com pouco mais de 1 metro e cinquenta. Que coisa! Não falo mais por hoje! Cadê meu chocolate? Vou chorar bem quieta para não atrapalhar mais ninguém.
É assim que acontece e este monólogo termina em um choro que pode durar horas. Totalmente fora de propósito. Parece que o cérebro está pulsando.
Este causo aconteceu a mais ou menos 15 anos. Parei no posto de gasolina para abastecer. Ao meu lado parou um carro com som no último volume TS, TS, TS, tipo panela de pressão. O frentista veio me perguntar se queria que colocasse aditivo. Com preguiça de abrir o vidro que era de manivela, abri a porta e respondi. Quando fui fechar a porta o motorista da caixinha de música me disse: - A música esta te incomodando? Aposto que você queria estar aqui dentro comigo. Fechei a porta e só daí caiu minha ficha. Sangue na cabeça. Peguei a trave do volante e desci do carro. Ele me viu com cara de louca e arrancou, só não esperava que o sinal estivesse fechado. Em plena esquina da Vicente Machado com a Brigadeiro Franco eu BERRAVA: - Você vai entrar no meu carro, porque depois que eu te quebrar, vou te largar na porta do Hospital Evangélico. Se você não descer vou começar a quebrar os vidros. Um por um. O sinal abriu e ele se foi. Quando me virei vi que o posto estava parado. Como se tivessem dado um “pause”. Todos me olhando, o rapaz que lavava um carro estava com a mangueira molhando o nada. Credo que mico. Fui para o carro morta de vergonha com a trave na mão. Passei ser temida naquele posto. Nem era para tanto.
Com certeza defendo a tese que TPM deveria ser atenuante de crimes. É algo inexplicável ,mas acontece com intensidade maior ou menor, todos os meses. E Deus tem muito a ver com isto.
Adão e Eva estavam bem felizes no paraíso. Apareceu a serpente e ofereceu a maçã. A Eva comeu, o Adão também.
Deus ficou muito brabo, e rogou pragas no Adão, na serpente e na Eva. Está na bíblia.
Disse também à mulher: Eu multiplicarei os trabalhos dos teus partos. Tu parirás teus filhos em dor, e estarás debaixo do poder de teu marido e ele te dominará. Gênisis – capítulo 3 -versículo 16.
O que Deus não imaginava é que a sua praga às mulheres, não daria tão certo e que estava criando a TPM. Será que se arrependeu? Acho que sim.

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