terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Policial paranaense reafirma em depoimento que PM gaúcho atirou primeiro

Relato ao corregedor Paulo Grillo levou cerca de três horas durante a tarde
Corregedor Paulo Grillo se surpreendeu com preparação técnica dos paranaenses

Fabiano do Amaral

                           
O corregedor da Políca Civil do Rio Grande do Sul, delegado Paulo Rogério Grillo, fez um relato técnico do ponto de vista do policial paranaense que fez os disparos que culminaram na morte do sargento da Brigada Militar, Ariel da Silva. Ele foi o primeiro ouvido em depoimento que durou três horas na Corregedoria, nesta terça-feira.
Conforme relato transmitido por Grillo, "o motoqueiro (Ariel), sem anunciar que era policial teria sacado a arma". "No momento que efetuou o primeiro disparo, o policial paranaense deu o flash e atirou, quatro vezes", descreveu o corregedor. "Houve dois tiros por parte do sargento e o policial sentiu um deles acertar na lata atrás do carro, onde tem um furo, inclusive", explicou.
A sequência de tiros teria partido de dentro do carro, inclusive através do vidro fechado do automóvel, acertando o policial gaúcho, que tombou ao lado esquerdo da moto, ainda com a pistola na mão direita. "Questionei se ele já tinha feito aquele tipo de disparo, e me respondeu que costuma fazer 'n' vezes aquele tipo de ação, treinando tiros a partir de veículos", detalhou Grillo.
O corregedor destacou a preparação técnica do grupo paranaense e ainda o detalhamento da sua narrativa. "Mesmo com um obstáculo, os disparos ficaram todos agrupados, no peito e na cabeça do sargento", ponderou. Ele acrescentou que não entrou em detalhes sobre o fato de não ter sido notificada a operação às autoridades do Rio Grande do Sul. "Eles, supostamente, não avaliaram que haveria essa necessidade técnica específica. Não notificaram, certamente, porque o chefe deles não ordenou que alertassem", ponderou Grillo.
Os policiais devem permanecer no RS até a próxima semana, quando será feita a reconstituição do crime. Grillo espera laudos do Departamento de Criminalística e do Departamento Médico Legal (DML) – o principal deles do levantamento no local onde o sargento foi morto e os outros se referem ao caso do refém Lírio Darci Persch, morto na quarta-feira, em Gravataí, em desastrada ação policial.
Outros dois inquéritos estão em andamento. Um relativo à suposta existência de prevaricação, uma vez que a delegada plantonista liberou os paranaenses após prestarem depoimento, e outro sobre o sequestro e cativeiro de Lírio Persch e de seu amigo Osmar Finkler, que escapou ileso no confronto. Os delegados Leonel Carivali e Roland Short foram afastados das investigações por causa da morte do refém.

*Com informações de Paulo Roberto Tavares

2 comentários:

  1. Como professor da ESPC, sempre alerto os "novatos" que nós, policiais, somos a "bola da vez". Ou seja, o "pokemon" imagina que, com a arma e a funcional, serão respeitados e indestrutíveis; confiam no peso da "carteira" e pensam que serão como os policiais dos filmes norte-americanos. Mas, após um tempo na carreira, vêem que não é nada disso. Muito pelo contrário. Parafraseando o Dr. Cartaxo, "gente é gente, e policial é policial". Somos diferentes. E somos cobrados por sermos diferentes. Um erro do juiz, se for muito grave, custa-lhe, no máximo, uma aposentadoria. Um erro do Ministério Público, idem. Um erro político, custa a perda de votos. Um erro policial, custa, aos policiais, a execração pública, o julgamento sem processo e prisão. No caso dos policiais do TIGRE, o que se vê é exatamente isso. Se é que eles erraram, pois não vejo, ao menos por aquilo que é dvulgado pela imprensa, qualquer erro de atuação. Assim como eles estavam "paisanos", o sargento também estava. Quem é policial sabe que, neste momento, em que a morte olha para os dois lados, náo há de se discutir quem atirou primeiro, se se identificaram ou não como policiais, se havia ou não o "cumpra-se" do juízo deprecado. Nestas horas, o ser humano quer viver, e aquele que tem mais preparo, vive mais. Foram inúmeras ações de sucesso do Grupo TIGRE; são reconhecidos até mesmo por grupos de Direitos Humanos, que louvam s suas ações, resgatando vítimas de cativeiros sem ter que disparar nenhum tiro. Só que, bastou uma dúvida sobre o seu proceder, que caíram-lhes os céus na cabeça. Estranho a manifestação do representante do Ministério Público gaúcho que, ao requerer a prisão, disse que os policiais "poderiam" estar falseando a verdade para não se prejudicarem. Conjecturas, e o Direito Penal não sobrevive com conjecturas. O Direito Penal para as "pessoas", mas não para os policiais. O Direito Penal para as "pessoas" admite até mesmo a mentira e o silêncio do réu. Mas o Direito Penal para os policiais não admite. Das muitas experiências que já passei, posso concluir: se fosse eu representando pela prisão de um suspeito, com base em "poderiam" e outras conjecturas, esta minha representação seria indeferida, como muitas já foram. Mas em se tratando de "policiais", que espontaneamente acionaram a polícia gaúcha e estregaram as armas para a perícia, em nítida demonstração de boa-fé, confiantes de que estavam fazendo o certo, devem ser negadas todas as garantias. Ao antigo PPP ("preto, pobre e puta"), acrescente-se mais um P: policiais!!! E reitero: somos a "bola da vez"! Me solidarizo aos colegas do Grupo TIGRE, na esperança de que a verdade prevaleça e uma injustiça seja desfeita.
    Delegado Cristiano Augusto Quintas dos Santos, Delegado Adjunto da Delegacia de Homicídios de Curitiba-PR

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  2. Falou tudo Chefe/professor.
    Inv. Atilla Frajuca

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