quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Para quem Deus não deu filhos, o Diabo deu sobrinhos – I

Meus sobrinhos começaram a nascer quando eu tinha apenas 11 anos e com 16 já era tia de cinco. O que me parece muito estranho, é que minha mãe, irmãos e cunhadas, permitissem que eu saísse com todos juntos. Eu também era uma menina. Passei por coisas inacreditáveis com eles. Vou escrever uma série de crônicas contando tudo, mas podem ficar calmos que farei com um longo espaçamento de tempo para publicação.
Já namorava meu marido Gê, há mais ou menos um ano. Achei um filme preto e branco, esquecido na gaveta. Não fazia ideia do que tinha ali. Como sou extremamente curiosa, já estava indo revelar. O Gê disse que tinha um amigo fotógrafo que faria um copião, para eu escolher. E assim foi feito. Dias depois o tal amigo joga os negativos na mesa dele e diz com cara de ódio: — Não mexo com isto! Vira as costas e vai embora. O Gê não entendeu nada e começou a olhar contra a luz. Em segundos entendeu tudo e partilhou do ódio do fotógrafo. Chegou à minha casa arrasado e quando eu vi do que se tratava, queria acabar com os meus cinco sobrinhos. Então vamos aos fatos e as fotos.
Em um aniversário meu, eles desapareceram do salão de festas e subiram para o apartamento. Quando voltaram perguntei onde estavam e o Zé o mais velho (16 anos) me contou que foram tomar um golinho de Whisky escondidos. Não achei ruim porque estavam na idade dos experimentos e nem de longe me pareceram alterados. Só que a ida ao terceiro andar era para uma sessão de fotos. Ninguém pode imaginar o que aconteceu ali. A foto mais bonita é do Daniel em cima de um balcão de cueca, fazendo pose de atleta. Do Zé e do João um verdadeiro horror. Calças abaixadas mostrando, como direi, o verso e o reverso. De frente e de costas. Credo! Mas não me contive e fui para a revelação nestas máquinas. Fiquei parada na frente, fazendo um paredão para ninguém ver o que estava saindo. Acho que fiquei hipertensa naquela hora. Eles esqueceram que os vidros eram espelhados, e aí surgem Heloiza e Lelé. Fotógrafa e assistente.
Que desespero! Comecei a ligar. Um por um e todos sofreram de amné­sia coletiva. E ainda acharam que estava inventando. Queriam me fazer de louca. No primeiro almoço de família, servi de sobremesa o álbum. E daí sim criei uma congestão familiar. E eles? Claro que com caras de paisagem, segurando uma leve risadinha, enquanto levavam uma megababada.
Resultado. Por inúmeras vezes o Gê tentou se explicar com o amigo fotógrafo, que não acreditava que era uma sacanagem de adolescentes e sim um caso de pedofilia. Até que liguei para ele e contei tudo, do meu jeito. Sem escolher palavras como estou fazendo agora. Como diz minha mãe, nem no porto do Rio, na Praça Mauá ouviu tanto palavrão. Xinguei, desabafei e acho que ele acreditou. Se existisse o DISQUE 100 o Gê sairia preso do trabalho. E esta eu não perdoo mesmo depois de 17 anos. Não fiquem com pena deles. A pedido dos próprios que estou escrevendo este absurdo.
Em todo caso, pedofilia é crime, é nojenta e deve ser denunciada.

1 comentários:

  1. Tive meu primeiro sobrinho aos dez anos. Hoje são 13. Também vivi muitas histórias engraçadas com eles. Sou a caçula de uma família de seis irmãos, portanto, mais jovem de todos, menos conservadora, mais próxima nas ideias. Esta semana fiz aniversário e um deles me mandou um torpedo: "Feliz aniversário à minha titia diferente!"

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