domingo, 11 de dezembro de 2011

‘Obladi-Obladá’ não transgride, não resgata, não rebusca. Só poema


Esqueçam a milongueira de Maiakóvski, queixando-se da pecha de ‘incompreensível para as massas’ ou de Oswald de Andrade prenunciando, em sua fase decadénce-marxista, a deglutição operária de seu ‘biscoito fino’ – o que nunca ocorreu. Os hai-kais e poemas de Marcus Vinicius Gomes, reunidos no livro ‘Obladi Obladá – Hai-kais e Poemas’ (Editora Faces), não aspiram a nada disso, ainda que apontem para as
cantigas de roda de mesa de bar provocadas por desfechos cômicos, pela transgressão de adágios populares e ainda pela obrigatoriedade da rima e do ritmo – daí o baticum da poesia sincopada.
Jornalista e escritor, Marcus Vinicius Gomes traduz em 168 poemas sem título (eles prescindem desse detalhe), a desventura da humanidade, o desamor, a solidão, o desapego e a urbanidade em tom às vezes lírico, às vezes pândego. Todos escritos em versos curtos e ligeiros, o que não significa que não tenham sido lapidados de um diamante em estado bruto.
Em e-mail, o poeta Nelson Ascher aludiu a comentário de Marcus Vinicius Gomes que lembrara que Paul Valéry dissera, certa vez, que os primeiros versos são assoprados pelos deuses e os demais ficam a cargo do poeta. ‘O duro, Marcus, é encarar o restante da tarefa’. Pois MVG parece não se preocupar tanto com essa questão. Na dúvida, preserva apenas aquilo que lhe assopram do Olimpo. ‘absurdo, ionesco? / pimenta no reino / dos outros é refresco’. Ou: ‘aonde vai meu ego / vai meu iago / doutor, divago’.
(Obladi Obladá - Haicais e Poemas, Editora Faces, 122 págs., R$ 19,90)
Noite de autógrafos do livro "Obladi Obladá" de Marcus Vinicius Gomes
Terça, 20 de Dezembro de 2011 - 19:00 hrs.
Livraria Arte e Letra
Alameda Presidente Taunay, 40, Curitiba

1 comentários:

  1. O artigo já vale o convite.Já torna o livro imperdivel.Poetizar é preciso.

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