quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O triste adeus, por Almir Feijó.

Agora que Haraton Maravalhas voltou a ser pó, me deu uma baita vontade de escrever para a  Telma Serur, minha amiga de muitos anos, que viveu com o Haraton, conheceu a grandeza poética do Haraton, viu o Haraton ser morto aos poucos e finalmente terminou despertando em nós que conhecemos o grande fotógrafo a raiva por deixarmos tudo acontecer como aconteceu. Mas a Telma sabe, como poucos, que Curitiba é foda, tem um povo que é foda, com uma classe política mais foda ainda. Quero dizer que eu seria redundante. Trabalhei com o Haraton no finado Diário do Paraná. Depois nos reencontramos aqui no Champagnat, onde eu moro desde 1981. Ele ficou anos numa casinha muito humilde quase ao lado da Igreja dos Passarinhos e quando a gente se cruzava íamos tomar umas cervejas do Bar do Sócio, que ficava na frente. Mas conversar com o Haraton podia ser um enorme problema se você não se importasse com longos silêncios e não tivesse muita, mas muita paciência. Já então ele parecia ter achado o Buraco do Coelho e feito a opção de se homiziar lá cada vez mais e mais tempo. Até que fechou-se por completo naquele mundo de visões inabordáveis pelos comuns e não saiu mais. O que dá nos ossos é que todo mundo sabia. E,velha crônica, todos deixamos ocorrer. Ninguém fez porra alguma - riscar um palito de fósforo que fosse - para devolver a ele aquilo que mais amava. A luz. Essa culpa, mais uma, essa fantasia cruel que é Curitiba deve ao Haraton.

1 comentários:

  1. aparecida de fátima nogarolli29 de dezembro de 2011 20:54

    Forte história de vida para mostrar este lado do curitibano que se esconde para não ver , para não se intrometer ... e perde tudo ! Agora neset caso é confiar que há o lugar da cura ! E que seu amigo a encontre . nós por aqui precisamos os da LUZ , nos encontrarmos mais ! Feliz ANo Novo com muita luz dos amigos que acendem fosforos. Eles existem

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