Minha primeira bicicleta foi marrom, fora do padrão da época. Elas eram verdes, vermelhas ou azuis. Agora que sou tia-avó, de duas meninas, sofro para encontrar roupas coloridas para elas. Nada de laranja, vermelho, somente variações sobre o mesmo tema. Mas em todo caso, ainda são crianças e lindas. Então me conformo e compro.
Conversando com a jornalista Miriam Karam, descobri que tenho uma aliada. Ela também não entende o que aconteceu com as mulheres da minha idade. Fiquei aliviada em saber que não sou tão implicante como penso. Nada contra, tenho minhas bonecas de palha, matrioskas e até uma ovelha.
O que leva uma mulher de 40 e muitos anos, ter uma carteira de dinheiro da Hello Kitty? Concordo que a gatinha é muito fofa. Se fosse comerciante, desconfiaria do cartão dela. Mas daí a sair com uma capinha de celular da Barbie é preocupante. Por falar em celulares, para que servem aqueles penduricalhos? Enfeitar celular é muito boa vontade. Cada coisa!
E as tatuagens? A criatividade é enorme. Bichinhos, personagens, tudo muito cuti cuti, fofinho. Não estou falando de adolescentes, e sim de mulheres com formiguinhas subindo pela perna. E dá-lhe laser para depois retirar. Por favor, tatuem algo bacana, bonito. Eu adoro tattoos.
Na academia uma senhora de seus 70 anos só malhava inteira vestida em tons de rosa. Do tênis ao lacinho no cabelo. Eu não conseguia tirar os olhos dela. E a cada dia um traje diferente. Será que ela não tinha saído da infância ou queria voltar para ela? O que foi um susto há tempos atrás, agora é normal. No dia a dia, me deparo com as Barbies de terceira idade e nem ligo.
Morro de medo de ficar assim no climatério e pior encarar uma menopausa pink. É só o que me falta ter que pagar a língua. Me imagino normal, sem adquirir a síndrome de centopeia, com trocentos pares de sapatos. Sem cabelos feitos em moldes e muito menos com sobrancelha azul, em um risco só. A terceira idade não me assusta. Pretendo não esquecer de uma aula que recebi, sobre elegância, que vem de eleger. Simples, eleger o que fica melhor, e combina.
O meu pai teve uma parada cardíaca em uma cirurgia, e contava que foi para um jardim cor de rosa. Já pensaram se é verdade? Passarei a eternidade lutando para mudar a cor do outro mundo. Organizando passeatas, protestos e panfletando. Espero que Seu Henrique tenha tido uma crise de daltonismo. Se não vou continuar com uma vida super cansativa...

0 comentários:
Postar um comentário