segunda-feira, 16 de maio de 2011

O DIREITO AO SILÊNCIO

Sábado a noite fui ao shopping, o que já é motivo para temporal em Curitiba. Poucas quadras dali funcionava o Beto Batata, bar cultural e com público de "tios e tias" da minha idade. Faz parte da programação da Virada Cultural Curitibana, portanto não é barzinho de galera. Até agora não entendi como tudo aconteceu. Afinal quais são as queixas tão graves. Depois de presenciar o efetivo usado para o fechamento do Beto Batata no sábado a noite, fico pensando cadê o meu direito ao silêncio.
Moro há 7 quadras do Palácio Iguaçu e os feriados por aqui são um tormento. O som é tão alto, que escuto de dentro de casa. Missas, shows, cultos evangélicos, etc... Durmo muito pouco, em torno de 4 horas por dia para mim são suficientes. Mas não é por isso que tenho que tolerar foguetório 6 horas da manhã. Quando acordo penso em primeiro lugar nos outros que dormem e se pudesse flutuaria para não atrapalhar ninguém. Mas em nome de Jesus, dos trabalhadores pode ser detonado o sono de quem mora no Centro Cívico, Ahú e Juvevê. Se moro há 7 quadras LONGAS  de distância e se escuto o Padre, o Pastor e o Roberto Carlos de dentro de casa, é porque o nível dos decibéis são absurdos. E reclamação após reclamação nada é feito. Por que a Prefeitura após anos de insatisfação dos moradores não toma atitude? O Vereador Jair César tem um projeto que infelizmente está parado na Câmara Municipal de Curitiba, para a criação de um espaço público para eventos. Curitiba precisa de um lugar com infraestrutura, de preferência coberto, com banheiros, e segurança. Minha amiga e jornalista Valéria Prochmann está encabeçando um movimento de respeito aos moradores dos bairros que citei. Dia 20 ela já tem agendada uma audiência na Prefeitura e eu já aderi totalmente a este movimento. Veja abaixo as comemorações no Centro Cívico, conforme levantamento de Valéria.
FERIADOS E FINAIS DE SEMANA:
Carnaval (uma noite por ano cerca de 5h)
Primeiro de Maio - centrais sindicais e governo do estado (1 dia por ano – 12 h seguidas de música e discursos)
Corpus Christi – procissão com interrupção da Avenida por um “tapete” (uma vez por ano dia inteiro)
Semana da Pátria – abertura e desfile militar 7 de setembro (uma vez por ano cerca de 3 horas)
Missa Dia dos Pais - Pe. Reginaldo (uma vez por ano cerca de 6h)
Ascensão da Virgem Maria (procissão católica uma vez por ano cerca de 6h)
Missa Nossa Sra. Aparecida – Pe. Reginaldo (uma vez por ano cerca de 6h)
Marchas evangélicas (uma por mês cerca de 6h)
Parada da Diversidade (uma vez por ano, domingo, cerca de 8h)
Eventos esportivos: corridas, caminhadas e passeios ciclísticos (cerca de dez por ano com locutores)
Bailões do Clube dos Sargentos e Subtententes do Exército Rua Com. Fontana (cerca de um a dois por mês volume alto e vias de fato)
Jogos de futebol no Estádio Couto Pereira / Alto da Glória e comemorações de torcedores (semanalmente, com fogos de artifício, vias de fato, etc) e algumas vezes simultâneos aos da Praça N. Sra. Salete (caso do dia da Parada da Diversidade em 2009 em que houve confronto entre participantes de ambos os eventos)
DURANTE A SEMANA:
Passeatas diversas:
sem-terra, sem-teto, estudantes, motoboys, grevistas funcionários públicos, bancários, professores, etc.
Carreatas e comícios eleitorais
Tráfego intenso causando poluição sonora e ambiental com motores automotivos (carros, caminhões, ônibus)
Buzinas (inclusive na madrugada – muito comum na Av Cândido de Abreu e Rua Com. Fontana)
Acidentes e atropelamentos
 Sirenes de veículos policiais (perseguições e “desfiles” de carros adquiridos pelo governo, Corpo de Bombeiros atendendo ocorrências)
Ultimamente: crimes (como um assassinato recente na vizinhança)
No contexto descrito, somem-se ainda os testes de som que se iniciam nos dias anteriores aos eventos, os barulhos provocados por obras de construção e reformas nas imediações e cachorros de todos os tipos ladrando, sobretudo quando se sentem acossados pelo grande afluxo de pessoas “estranhas” bradando em grupos (como torcedores, grevistas, fanáticos religiosos), fogos de artifício, música e pronunciamentos em altos decibéis.
Acho que pelo tamanho da lista fica claro que não se trata de intolerância ou radicalismo.
Na praia passo pelo mesmo dissabor. O volume do Viva o Verão é tão alto que chega a tremer os vidros do apartamento no andar 16. Então só posso concluir que lá também os decibéis são anormais. Não tenho mais vontade de ir para praia deste jeito.
Mas daí eventos autorizados e promovidos pelo poder público podem tudo. Tenho direito ao silêncio também, não só a vizinhança do Beto Batata. Quem quiser pode vir aqui em casa, passar o dia comigo no sábado, enquanto estiver acontecendo a Marcha para Jesus. Só assim irá entender.
A liberdade do outro estende a minha ao infinito. Bakunin

P.S - E há quem acorde com salvas de canhões nas proximidades do Colégio Militar no Tarumã.

2 comentários:

  1. Voce mora no Afeganistao de Curitiba,rs.O silencio é um direiro previsto por lei.Ja fui propietario de bar noturno,e sei que nao da para conciliar o direito do cidadao com os seus interesses.Gosto do Beto Batata,mas eles tem meio de fazer um isolamento acustico no local.

    ResponderExcluir
  2. Morei dois anos na praça Santos Andrade - local oficial-não-oficializado das principais manifestações de Curitiba. Era o mesmo tormento - e aos sábados ainda!
    Tive, por muitas vezes, vontade de colocar uma faixa com os dizeres "a Carlos Gomes também é legal. Vão para lá". hehehehe

    ResponderExcluir