TORCENDO POR ANTONIO TORRES
Por Altamir Tojal
Antônio Torres é candidato à vaga deixada na Academia Brasileira de Letras pelo grande Moacyr Scliar, que vai ser preenchida agora em junho. Ele é, como Scliar, um dos craques da nossa literatura. Sua arte só é menor que a simplicidade e a generosidade que sobram no seu jeito de ser.
Torres faz torcedores em todos os lugares que vai, no Brasil e no mundo, mesmo se a visita é da imaginação de escritor. Não duvido que, no dia da eleição, um grupo de leitores se reuna na Catedral de Santo Estevão, em Viena d’Áustria, para rezar durante a votação na ABL. Ou que, numa aldeia tupinambá, aconteça uma pajelança de descentes de Cunhambebe, o guerreiro que tinha nas veias o sangue de cinco mil inimigos.
Como as torcidas dos times mais queridos, a de Torres está no Brasil inteiro, que ele vive cruzando de ponta a ponta, para lançar seus livros, fazer conferências e palestras e para dar cursos e oficinas. E também para participar de eventos sobre a sua obra, que é tema de artigos e teses em universidades.
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| Antonio Torres |
Há torcedores de Torres em dezenas de países, onde seus livros são publicados e republicados e também são tema de estudo nas escolas de literatura, como a França, que lhe deu o título de Chevalier des Arts et des Lettres. E Portugal, onde viveu, trabalhou como publicitário e fez literatura da boa.
Fui aluno de Torres e tenho tido o privilégio de assistir algumas de suas palestras, que ele prepara uma a uma, com entusiasmo e profissionalismo, seja para uma platéia de professores em Paris, seja para estudantes na Baixada Fluminense.
Se escolher Torres, a Academia vai homenagear um grande escritor e vai ganhar um membro que a honrará com arte, inteligência e dedicação.
Torcida, como se sabe, não ganha jogo. Mas ajuda a empurrar o time.
Jornalista e escritor, Altamir Tojal é autor do romance Faz que não vê e do livro de contos Oásis azul do Méier.

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