terça-feira, 29 de março de 2011

SOU CURITIBANA. E DAÍ?

Foto do Edson Rosa.
Morava ao lado do Bourbon.
Ultimamente parece que estou sofrendo bulling curitibano. Continuo falando como sempre falei e tenho que justificar o meu sotaque e as minhas expressões.
Nasci aqui e me criei no centro da cidade. Durante 23 anos morei quase na esquina da Rua Dr. Muricy com a Cândido Lopes. Continuo fazendo compras no centro e quando conto isto me olham como se eu fosse um E.T. e eu nem ligo. Quando digo que tenho saudade dos cinemas quase causo uma sincope. Que saudade das filas, do cheiro de pipoca e da pipoca quente. Juro que a pipoca era quente.
Saio para andanças. Meio sem destino. Observo os tipos que circulam, sento bem quieta em um banco para ouvir uma conversa aqui, outra ali. Me divirto.
Conheço as figuras populares e folclóricas pelo nome. Sempre paro para um papo.
O centro foi meu quintal por anos. Fugia de bicicleta para a Praça Zacarias. Sonhava entrar no chafariz. Geralmente minha mãe chegava para me impedir. Ia embora chorando, empurrando a bicicleta. Gritava: - Por que me tirou do orfanato? Eles podem e eu não. Hoje acho que as crianças que lá estavam tomando banho tinham pena de mim. Mas quando passei no vestibular enquanto todos seguiam para o banho na Praça Osório, fui sozinha para a Zacarias e realizei meu sonho.
Minha cidade não está trancada nos shoppings, muito menos divida por portais. Sou da cidade que tem praças. Vento gelado, chuvisco, gente de cabeça baixa e mão no bolso. Pele ressacada e boca partida. Com seus maledetos petit pavês.
Sinto muito decepcionar, mas continuarei falando todos os meus ERRES e suprimindo os IS. Vejam só: "Fui à fera, comi pastel. Estava tão quentE que queimei a língua. Um hoRRoRR, uma baRRbaridadE. Mas pelo menos comprei vina."

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