Eu já. Com mais ou menos 17 anos tive uma displasia mamária absurda. Tentei vários tratamentos e nada deu certo. Os meu seios triplicaram de tamanho. Sentia dores terríveis. Alguns nódulos chegaram a 12 centímetros de diâmetro. Não aguentava o simples tremor do carro nas ruas de paralelepípedo. E assim me despedi do ballet.Durante a cirurgia perdi muito sangue. Quando voltei da anestesia minha sensação era que não estava mais ali. Não tinha forças para movimentar um único dedo. De repente comecei a sentir uma sensação de calor e saciedade. Quando abri os olhos, a primeira imagem que vi foi de uma bolsa de sangue. Naquele momento tive a certeza que sangue é sinônimo de vida.
O grande erro das campanhas de doação de sangue, é não colocar o ponto de vista do recebedor. Cá entre nós, divulgar a imagem de agulha espetada em um braço não é nada agradável. Mas contar histórias de sobreviventes é bem mais convincente. Se uma pessoa qualquer, que não tenho ideia de quem é, não tivesse a boa vontade de ir fazer a doação, não estaria aqui hoje. Ou melhor não teria vivido, feito minhas confusões, dado risada, chorado. Não teria me casado com um homem prá lá de bacana, honesto e meu companheiro da vida. Não conheceria meu sobrinhos netos. Nem escreveria de forma engraçada e politicamente incorreta. Viram só? Se continuo aqui culpem o doador anônimo que salvou a minha vida.
Tudo aconteceu em 1983 justamente onde os casos de AIDS pipocavam. Hemofílicos, gays, usuários de drogas injetáveis se contaminaram. Pessoas como eu também. Havia uma teoria que o virus ficava incubado durante dez anos. E depois de tudo bem passei a viver este tormento. No começo o exame ia para São Paulo. Total insegurança. Os meus exames sempre deram negativos e hoje não existe mais esta possibilidade de contaminação por doação. Os critérios são seríssimos.
Então vejam só como tenho vários finais felizes. Não era câncer e sim displasia. Sobrevivi graças a uma doação. Não tive AIDS. Eita vida boa!
Bora lá doar sangue! Procure um hemobanco.
Requisitos para doar sangue:
Você deve ter mais de 18 e menos de 60 anos;
Seu peso deve ser superior a 50 kg;
Se homem, deve ter doado há mais de 60 dias;
Se mulher deve ter doado há mais de 90 dias; não estar grávida; não estar amamentando; já terem se passado pelo menos 3 meses de parto ou aborto;
Se você não teve Hepatite após os 10 anos de idade;
Se você não teve contato com o inseto barbeiro, transmissor da Doença de Chagas;
Se você não teve malária ou esteve em região de malária nos últimos 6 meses;
Se você não sofre de Epilepsia;
Se você não tem ou teve Sífilis;
Se você não é diabético;
Se você não tem tatuagens recentes (menos de 1 ano);
Se você não recebeu transfusão de sangue ou hemoderivados nos últimos 10 anos;
Se você não ingerir bebidas alcoólicas nas 24hs que antecedem a doação;
Se você estiver alimentado e com intervalo mínimo de 2 horas do almoço;
Se você dormiu pelo menos 6 horas nas 24hs que antecedem a doação;
Se você não se expõe ao risco de contrair o vírus da AIDS, tendo comportamentos como:
* não usar preservativos em relações sexuais
* Ter tido mais de dois parceiros sexuais nos últimos 3 meses
* usar drogas injetáveis
Antes da doação você vai passar por uma entrevista de triagem clínica, na qual podem ser detectadas algumas condições adicionais que possam impedir sua doação. Após cada doação serão realizados os seguintes exames em seu sangue:
Tipagem sangüínea ABO e Rh;
Pesquisa de anticorpos eritrocitários irregulares;
Teste de Coombs Direto;
Fenotipagem do Sistema Rh Hr( D,C,E.c,e) , Fenotipagem de outros sistemas;
Testes sorológicos para: Hepatite B, Hepatite C, Doença de Chagas, Sífilis, HIV (AIDS), HTLV I/II;
Todas as vezes que você doar sangue serão feitos todos esses testes, e você receberá o resultado em cada doação.
fonte: Banco de Sangue Paulista
Claudia,
ResponderExcluirQue experiência maravilhosa. Vivi e vivo, de certa forma, as duas experiências. Tenho displasia desde 1968 e fui doadora universal de sangue. Como sou O-, eu era conhacida na Caixa ( da qual sou aposentada) como irmã de sangue. Precisavam de sangue, lá estava eu. Uma vez, machucaram tanto meu braço no Hosp N S das Graças, que só sai de lá com a declaração de que havia doado sangue. Senão, corria o risco de ser presa como drogadita, quando ainda era crime ser.
Pois, não é que, de tantas doações, adquiri hepatite A e não pude mais doar. Minha família deu graças, pois eram frequentes as doações. Mas, por castigo, logo que descobri minha hepatite, meu tio fez uma cirurgia cardíaca e não encontramos doadores. Deus castiga !!!!!
Quanto à displasia, vai bem, obrigada. É um cordão enorme, que vai até embaixo do braço, dói ( ainda tem acento?)prá caramba e dá-lhe Vitamina E 400, para o resto da vida.