Qual a importância do Prêmio Ordem do Mérito Cultural 2010 ?
Segundo o próprio Ministério da Cultura "este prêmio é o maior reconhecimento do Governo Federal a personalidades que se destacaram por contribuir enormemente para o desenvolvimento da identidade cultural brasileira." As condecorações são entregues, anualmente, por ocasião do Dia Nacional da Cultura (5 de novembro). Neste ano, a cerimônia de condecoração foi realizada no dia 2 de dezembro, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com a presença do Presidente da República.
Como são selecionadas as pessoas que recebem este prêmio do Mérito Cultural?
Também segundo o próprio Ministério da Cultura: "as indicações podem ser feitas por quaisquer pessoas, e os indicados - personalidades, grupos, iniciativas e instituições que tenham contribuído para a Cultura brasileira - são avaliados pela Comissão Técnica, constituída por gestores das Secretarias do Ministério da Cultura, que emite parecer conclusivo antes de encaminhá-lo à consideração do Conselho da Ordem do Mérito Cultural. Integram o Conselho da OMC o Ministro de Estado da Cultura, que o preside na qualidade de Chanceler, os Ministros de Estado das Relações Exteriores, da Educação e da Ciência e Tecnologia."
Quem esteve presente na entrega do Prêmio ?
Além das autoridades como o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministro da Cultura, Juca Ferreira, o Governador do Estado, Sérgio Cabral Filho, e o Prefeito do Rio, Eduardo Paes, diversos embaixadores nacionais e internacionais. Estiveram presentes também os convidados dos premiados, portanto, amigos meus, de Gal Costa, de Glória Pires, de Hermeto Pascoal, de ítalo Rossi, de Jaguar, de Leon Cakoff, dos Demônios da Garoa, de Leonardo Boff, dentre outros dos quarenta premiados neste ano.
Para você, o que significa receber esse prêmio?
Recebi este prêmio "como personalidade que tenha contribuído enormemente para a Cultura brasileira", com imensa alegria, das mãos do presidente Lula que representava ali o país inteiro, no belíssimo Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Coloquei-a junto à outra que me entregou, em 1995, o então Ministro das Relações Exteriores Fernando Henrique, a medalha da Ordem do Rio Branco, que é "destinada aos que elevaram o nome do Brasil no exterior" (esta medalha eu tive o privilégio de receber na companhia de minha mãe e de meu irmão Sergio, no Palácio do Itamaraty, em Brasília ) e junto ao meu fardão da Academia Iratiense de Letras.
Denise, aproveitando a oportunidade, gostaria que você explanasse um pouco sobre seu histórico na arte?
Comecei meu trabalho em Irati, escrevendo, dirigindo e atuando. Meus textos eram publicados por José Maria Orreda em seu jornal O Debate, desde meus dezesseis anos. Foi Orreda inclusive quem publicou meu primeiro livro (hoje tenho outros sete e mais dois pra saírem no ano que vem). O professor Orreda dizia: "o que não é publicado não existe historicamente". Então, com sua larga visão, imensa generosidade e seu senso pedagógico muito sintonizado, publicou neste primeiro livro que era a minha primeira peça de teatro. Fiz teatro profissionalmente em Curitiba enquanto estudava em duas universidades: curso de Jornalismo e curso de Ciências Sociais. Trabalhei também durante um pequeno período na Televisão Iguaçu, no telejornal local, onde eu fazia um editorial diário que se tornou muito popular, pois era quase uma performance de alguns poucos minutos, mas televisão tem esta carga comunicativa muito grande. Foi quando eu comecei a entender o que era ser reconhecida nas ruas, dar autógrafo. Como aprendi desde muito cedo, portanto, que celebridade é algo muito simples, resultado de trabalho na mídia (televisão, rádio, palco) nunca tive problemas mais tarde em confundir isso e me tornar uma ególatra, achar que eu era mais importante que um outro que não dava autógrafo ou que não era reconhecido nas ruas. A fama é resultado de trabalhos que incluem larga comunicação com o público - apenas isso. Depois fui pra São Paulo e Rio de Janeiro. Mais tarde Londres. Fiz na volta uma telenovela na TV Bandeirantes chamada Ninho da Serpente, onde representava um papel importante na trama, minha personagem tinha o nome Oriana e marcou muito. Nunca mais, no entanto, me interessei em fazer telenovelas por considerar limitado para o ator já que exige mais uma exteriorização do que interiorização das emoções, e me dediquei exclusivamente ao trabalho em teatro. Apresentei meu teatro que denominei de Teatro Essencial, composto de várias peças-solos em repertório, em 31 países, participando de importantes eventos, sempre com grande impacto de repercussão. Também já fiz um trabalho em música, em fotografia e em literatura.
Quais seus principais trabalhos?
Em termos de repercussão, MARY STUART marcou muito pois estreou em 1987 em New York, tendo sido destacada na ocasião pelo jornal The New York Times em sua primeira página, e com este trabalho iniciei meu trabalho autoral, este que chamo de Teatro Essencial. Mas as outras peças também tiveram grande importância pra meu desenvolvimento e no meu envolvimento com o público, que foi se tornando cada vez maior, um público que faz a escolha de estar ali, dedica-se ao ritual de decifrar resolvendo as metáforas do palco sobre si mesmo. Menciono então os solos: CASA, DESOBEDIÊNCIA CIVIL, DES-MEDÉIA, CALENDÁRIO DA PEDRA, UM FAX PARA COLOMBO, ELIS REGINA, VOZES DISSONANTES, LOUISE BOURGEOIS: FAÇO, DESFAÇO, REFAÇO.
Qual sua expectativa com relação ao Centro Cultural Denise Stoklos em Irati?
Aquela que todo cidadão iratiense tem: que vai ser uma mudança significativa e valiosa para todos. Será a casa do pensamento que brinca para se expressar e assim prazerosamente proporciona ajuda para nossas definições a respeito de tudo. O lugar onde a função da arte acontecerá e corresponderá à busca inteligente e sensível de todos pelas suas próprias evoluções e autodescobertas.
Você tem a intenção de ministrar cursos e oficinas de arte em Irati ?
Sim, pretendo estar muito à disposição dos anseios teatrais da cidade. Passei a entender que preciso compartilhar o que tive, a oportunidade de experimentar, de aprender, de fazer. Então creio que fazer cursos e oficinas esta ligado não à intenção de disseminar minhas próprias escolhas dentro do teatro, mas sim à intenção social, de compartilhar educação.
Como você vê a disseminação da arte nas cidades do interior?
Não tenho acompanhado muito devido ao meu próprio trabalho, que me absorve, pois produzo minhas criações, além de colocá-las em cena, isto é, encontro maneiras de fazê-las ter uma carreira, de serem apresentadas aqui e ali. Mas fico sabendo de iniciativas como a de João Carlos Martins, fazendo concertos públicos em um caminhão, e sorrio de contentamento pela disponibilidade deste grande artista, pelas autoridades locais que o abrigaram e finalmente pelo povo iratiense que pode presenciar tal evento de tanta qualidade.
Qual a importância da arte para as cidades?
É total, pois a arte é necessária tanto quanto o pão. Existe o dito: "pão e circo", significando que precisamos do alimento para o corpo e também o alimento para o espírito. Um alimento que nos faça ver as coisas em diversos ângulos, rever nossas atitudes, refletir sobre nosso estar no mundo. Isso é o papel da arte, trazer esta possibilidade a cada um. O papel, por exemplo, de olhar uma representação da natureza humana no palco para ali nos atualizarmos quanto a nossos caminhos, nosso presente e também quanto ao nosso futuro e quanto ao nosso envolvimento com o outro. Já que é com o outro que construímos a nossa vida, dia a dia nos reinventando, renascendo, como cada apresentação teatral (efêmera porque só existe no momento em que é feita, mas feita com a sutileza do espírito que é invisível, porém, que anima nosso corpo e pede sempre por mais qualidade na existência, mais liberdade para exercitarmos cada dia mais o amor ao outro e a si mesmo. Equação esta que traz dentro de si mesma o respeito, a dignidade e, portanto, a ética e a alegria).
Para a inauguração do Centro Cultural , você sabe se já foi definida a programação?
Só sei que será muito intensa, necessária, variada, divertida, interessante, nova, útil, plausível e para todos, de todas as idades, classes, cultura, gênero ou gosto!
Suélen Bueno

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